sábado, 27 de setembro de 2008

Questão de justiça


“Justiça é a substância da civilização,
a essência da sociedade,
a síntese da política cristã".

Rui Barbosa

Temas são imprevisíveis. Alguns se fazem de difíceis, penoso é abordá-los. Outros chegam como quem não quer nada, intrometem no nosso pensamento, praticamente atiram-se aos nossos pés. Há pouco meu concunhado me convidou a participar de um projeto a quatro mãos sobre Justiça e Ética. Depois foi a vez de minha filha me envolver numa prosa sobre justiça social. Por último, um amigo virtual me incitou a escrever sobre o “sentimento de justiça”. Três episódios isolados e aparentemente desconexos: tentei fazer que não era comigo, que médica não sabe discorrer sobre justiça. Não houve escapatória, fui laçada. Arrisco.


Por conta da educação que recebi, meus dias em menina começavam sempre com o Pai-Nosso. Eu tinha fome de religiosidade. Cresci, tive minhas próprias filhas, continuo ligada a Deus, mas opto por ensiná-las a começar seus dias com o Pão Nosso. Hoje somos todos famintos de humanidade. Por onde quer que se olhe, os sinais são espalhafatosos, quase pirotécnicos: o caminho digno para a libertação do ser humano passa pela prática da justiça.


Para Aristóteles, a justiça se caracterizava pela legalidade e igualdade. No mito grego, Thêmis, deusa da justiça, protetora dos oprimidos, conselheira e esposa de Zeus, deu à luz as Horas, responsáveis pelo fluxo da vida e equilíbrio da sociedade. É representada tendo à mão uma balança, símbolo da equidade e equilíbrio. Com uma venda nos olhos se faz imparcial.


Thêmis também era deusa dos oráculos. Faz sentido: entender a dinâmica da justiça é tarefa oracular. Recorro aos ditos populares: ela não dorme, não conhece pai nem mãe – só a verdade. É preciso ser paciente: ela tarda, mas não falha ( se ela tarda, não falha?!). Diz-se que seu braço é comprido e, para ser boa, começa em casa. Para alemães, quanto mais leis, menos justiça. Há quem afirme que, quando ela é extremada, extrema é a injustiça – talvez por isso quem a aplica, deve temê-la. A prudente sabedoria de Gandhi salva-me da confusão conceitual “Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha”.


Melhor é voltar ao “sentimento” de justiça. Preciso senti-la para garantir sua prática. É difícil: muitas vezes, o direito, instrumento de justiça para a conquista da paz, deixa de proteger a dignidade humana. Esse direito ilegítimo esconde o egoísmo dos que não se envergonham de manipular para obtenção de privilégios pessoais. São históricas a arrogância e a insensibilidade dos que se alinham com o poderio econômico, militar ou político. Surpreende, embora relativamente comum, a atitude dos pouco favorecidos que se destacam na escalada social, esquecem-se da origem humilde e debandam para o lado dos dominadores. É esforço quixotesco lutar por justiça?


Acredito que não: mais do que direito, é nosso dever contribuir para a construção de uma sociedade igualitária e justa. É preciso democratizar a organização social e valorizar o ser humano. Devemos exercer nossos direitos com fraternidade, estendendo a mão solidária aos que esperam o dia da libertação. Justiça é inerente à condição humana. Não é preciso ser doutor em leis para refletir, exercer e clamar por ela.


A justiça é cega, não nós.

Há que vivenciá-la de olhos bem abertos.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Em terra de cego


Esta história é conhecida. Cinco macacos são colocados numa jaula: no centro, uma escada e, sobre esta, um cacho de bananas. A cada vez que um macaco sobe a escada para apanhar as bananas, cientistas lançam um jato de água fria nos que estão no chão. Após algum tempo, quando um macaco vai subir a escada, os outros atacam-no. Tempos depois, nenhum macaco tenta subir a escada. Então, um dos cinco macacos é substituído. Quando o novato sobe a escada, os outros espancam-no. Surras depois, o novo integrante não mais sobe a escada. Um segundo é substituído, e a reação se repete, tendo o primeiro substituto participado, com entusiasmo, da surra ao novato. O terceiro, o quarto e o último integrante são gradativamente substituídos, com igual reação dos demais. Agora são cinco macacos que, mesmo nunca tendo tomado banho frio, espancam quem tenta chegar às bananas. Se perguntássemos a um deles por que eles agem assim, a resposta seria: "Não sei, as coisas sempre foram assim por aqui…"

Assim somos nós, seres humanos. De tanto escutar, acabamos por acreditar em opiniões alheias e conceber paradigmas, modelos de funcionamento das coisas. Sem pensar, incorporamos pré-julgamentos, rótulos e pré-conceitos. Paradigmas impõem limitações, impedem a criatividade e rechaçam mudanças que fujam ao conhecido. Somos naturalmente avessos a alterações do status quo: nossos limites pessoais não estão em condições físicas, intelectuais, ou ambientais, mas nos paradigmas que criamos para eles.

Ditados populares traduzem a resistência. “Em terra de cego, quem tem um olho é rei” é uma apologia à mediocridade, pois aceita uma pequena diferença em relação ao outro como declarada hegemonia. Será verdade? E o que aconteceria com quem tivesse os dois olhos? Seriam vistos como ameaças e rechaçados apesar da incontestável habilidade extra? Cegos se habituam à situação do não-ver e compensam a deficiência com hiperdesenvolvimento dos outros sentidos: tato, olfato, audição... Para mim, em terra de cego, alguém com um olho seria diferente, caolho, nunca rei. O ciclope poderia disfarçar com óculos ou arrancar o próprio olho para igualar aos demais... Ou se resignaria em ser um ser deslocado, patinho feio, ser em extinção... Enfim, em terra de cego, quem tem um olho vê cada coisa!!!

Em terra de olho, quem tem um cego... ops, ERREI! O desafio é desaprender o aprendido e desenvolver a sabedoria de olhar adiante, ver além. Mudanças sempre vão ocorrer, quer estejamos preparados para elas ou não – o mundo é um sistema dinâmico. Um bom exercício de auto-desenvolvimento é a ruptura de paradigmas, abandono de julgamentos, desqualificação de rótulos, na redescoberta contínua do mundo.

Exercendo a criatividade, testamos novas abordagens. Em terra de cego, quem tem cinema é doido; quem tem piano é Ray; oftalmologista morre de fome, cachorro é guia e degrau é tragédia...

E o pior SEGO é aquele que não quer ver.

domingo, 14 de setembro de 2008

Veja Especial 40 anos


“Quem sou eu? Ah, como me espanto. Nasci pequeno e cresci aos poucos. Só mais tarde cheguei aos extremos.” Millor Fernandes




Em casa de vestibulando, pais são os últimos a saberem das novidades. A edição especial da revista Veja foi distribuída para assinantes em 06/09. A nossa só foi liberada para uso comum quatro dias depois, mesmo assim com a recomendação de devolução tão logo fosse lida.


A citação que abre este texto foi retirada da edição comemorativa dos 40 anos de Veja. Assim Millôr se apresentou aos leitores em 68. Poderia bem ser a apresentação da revista, cuja primeira edição chegou às bancas em 11/09/68. Hoje é a terceira revista de informação mais lida do mundo (a primeira fora dos Estados Unidos) e distribui 1,2 milhões de exemplares semanalmente. Estão lá trechos das principais entrevistas das páginas amarelas no período. Em 1980, um modesto Carlos D. Andrade considerava sua obra falha. Tarsila do Amaral explicou, em 72, que pintou Abaporu apenas para assustar Oswald de Andrade. Médici, em 84, afirmava ter acabado com o terrorismo no Brasil (!). Lá estão a logística e todas as capas da revista, as melhores frases e imagens e um folder destacável das 40 coisas que mudaram nossas vidas em 40 anos.


300 páginas fazem uma retrospectiva dos principais acontecimentos do país, do mundo e da publicação semanal nas últimas quatro décadas. As reportagens dão ênfase a 68, um ano especialmente fértil para o hindsight jornalístico: passeata dos 100 mil, movimento estudantil, terrorismo, AI 5, censura prévia à informação... O passeio pelas décadas permeia informações atuais e a posição da publicação na época. Desemboca em 2008, num excelente quadro comparativo do índice de desenvolvimento humano, telecomunicações, transporte, energia, família, religião, entre outros temas. A maior parte dos anunciantes entrou no “espírito da coisa” e usou o tema 40 anos para divulgar seus produtos.


A edição histórica merece ser lida e guardada com carinho. Imperdível e indispensável.


Edição Especial Veja 40 anos

Ano 41 ( Veja 2077) – setembro de 2008

Editora Abril
ncas) : R$10,00

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Cartas da mãe do Henfil




Tive o primeiro ( e único) confronto com meu pai aos 14 anos. Insatisfeita com a escola onde estudava desde os 4, eu queria fazer o 2o grau em um colégio universitário. Ele desaprovava a idéia não por elitismo, mas por zelo: eram os anos de chumbo, muito mais plúmbeos num campus. Felizmente, a ditadura não atingiu a sua mente e ele cedeu. Não arrependi da resistência: na nova escola, desenvolvi o senso crítico político, a percepção para as artes e amizades definitivas. Por causa daquela discussão, escrevo esta resenha.

O filme é “Cartas da Mãe”, premiada crônica do país dos últimos 30 anos. Entre o fim dos anos 70 e início dos 80, o jornalista Henfil escreveu crônicas em jornais e revistas, usando o tom intimista de um filho que fala à mãe. O título era invariavelmente “Cartas à mãe”. Ferrenho defensor da democracia, ali criticava, protestava, cobrava posições. No filme, a voz em off lê alguns desses textos com críticas inteligentes sobre política, fé, medo. Ao mesmo tempo, imagens atuais do país fazem ponte entre o passado recente e a contemporaneidade.

Gênio do traço, Henfil também marcou história pelo uso da linguagem dos quadrinhos para crítica e comprometimento social. No documentário, personagens criados por ele, como o cruel Fradim ( inventor do top top), a ave Graúna, o “social” Zeferino e o bode Orellana são os mestres de cerimônia. Luís Fernando Veríssimo, Angeli, Laerte, Zuenir Ventura e Lula descrevem o crítico mordaz do comportamento político como amigo, solidário, meigo. Ali surgem inconfidências. Ali fica patente a esperança que o cronista nutria de um futuro iluminado para o país e para si próprio.

Para Henfil, o futuro acabou cedo, aos 43 anos, por complicações da AIDS, justamente quando a democracia, pela qual sempre lutou, era restabelecida no país. Quanto ao futuro do país, permanece duvidoso: Lula, em discurso na semana passada, reproduziu um velho jargão político do regime militar: “ Ninguém segura este país”. Em outras ocasiões, ele já havia elogiado o planejamento econômico dos governos Geisel e Médici. ( Fui eu ou Lula quem perdeu algum capítulo desta História?)

O filme é imperdível para quem gosta de crônicas, para quem gosta de refletir, para quem gosta de pensar o Brasil. Aprecie sem moderação.

Filme: Cartas da Mãe
Gênero: Documentário/ 2003
Duração: 28 minutos
Diretores: Fernando Kinas e Marina Welles
Você assiste
gratuitamente no site
http://www.portascurtas.com.br/

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Duplas explosivas

O mundo acontece aos pares e a felicidade só tem graça dividida. Pena que certos duos funcionem tão mal: visão dupla, dupla personalidade, dupla de um... Dupla atribulação é pior que dupla tributação: quando minha filha teve meningite, contraí dupla pneumonia. Por sorte, ambas recuperamos, o que me obrigou a ouvir os álbuns duplos de Sandy e Júnior por toda a longa infância dela. Gosto não se discute, eu sei, mas penso que duplas musicais quase nunca dão certo. Pior, só a combinação dupla sertaneja e dor de cotovelo...




Há duplas literalmente explosivas: Mentos e Coca-Cola, dor de barriga e gripe, gasolina e fósforo, URSS e EUA, Fat Man e Little Boy, pimenta e tequila, FARC e Hugo Chavez... Chimarrão na praia e sol de verão, só gaúcho explica.


Em certos pares, um sempre se dá mal: Tom e Jerry, Caim e Abel, insônia e medo, carência e belas palavras, dia de pagamento e liquidação na loja favorita, paquera e escritório ( roupa sexy e trabalho, meninas, só dão trabalho – a menos que este seja o trabalho, claro). Outros são como água e óleo: americana e biquini, Quércia e Serra, rotina e casamento, samba e inglês. E vamos combinar: ti e você no mesmo poema definitivamente não combinam!


Quem tem errado feio na combinação é o álcool, que certamente já viveu momentos mais populares. O etanol é acusado de diminuir a oferta de comida do mundo, apesar de usar apenas 1% da área agriculturável do país. Crê quem bebe ou está mal informado: o vilão é a dose dupla de protecionismo e subsídios distorcidos dos países desenvolvidos, não o biocombustível. Já a combinação da bebida é soda: promove estragos na beleza e saúde com o cigarro; na estrada, com direção; e na reputação, com o estômago vazio. Bebida e sexo são como roda gigante, tanto sobe quanto desce. Vodca e jornalista russo ocioso dá no que deu: a notícia que Putin tinha se separado para ficar com a jovem ginasta russa espalhou-se pelo mundo rapidamente e provocou o fechamento do jornal. Bem feito: para agüentar tanto boato irresponsável da imprensa, só com dupla caipivodca. De lima da Pérsia e sem açúcar, por favor.


Em duplas explosões os efeitos potencializam e fica difícil localizar o epicentro. Sobra para terceiros que nada tinham a ver com o pato. Oceano e terremoto dá maremoto; conflito da ditadura chinesa e monges tibetanos, boicote às Olimpíadas. Da combinação diarréia e cartas da esposa e amante saiu o Independência ou Morte. Na dupla água salgada e areia, sofre o aparelho de som; no confronto de bens e amor, os filhos. Tratar fungos com simpatia faz mal aos pés; tratar dengue com negligência faz mal aos cariocas. Corrupção e impunidade: quem implode é o povo; acusação e anonimato: o injustiçado. Comida gostosa mais fome: sobram gordurinhas.


Algumas duplas não combinam, mas insistem. Minha tia casamenteira aconselhava: se não combina, é porque te completa. É mentira, não entre nessa. Política, por exemplo, não combina com futebol ( FIFA e ministro Zico, recorda?), religião ( dos Garotinhos e Benedita não se esquece), ou interesses pessoais ( agora Cid Gomes vai lembrar). Público e privado detonam sempre.


Política brasileira desanima e a gente pensa como seria bom ganhar sozinho na Dupla Sena e bater asas, numa via de mão única... dupla ilusão. Prefiro aguardar para celebrar a goleada do Cruzeiro sobre o Galo no próximo jogo da rodada dupla ( domingo passado foi 5 x 0 para nós!) ... dupla emoção.


Então, ficamos assim, o dito pelo não dito... Viu só no que deu a dupla explosiva falta de assunto e vontade de escrever? Uma bomba!

Me chama de lagartixa



Neste celeuma entre criacionistas e evolucionistas eu não meto o bedelho. Nem de Eva, nem do macaco: no que diz respeito a mim, descendo diretamente da lagartixa (e, por conseguinte, do dinossauro, de quem ela é a versão bonsai). São muitas as parecenças. Como lagartixa, não tenho o rabo preso e, muitas vezes, uso do mimetismo para passar desapercebida. Mas é no quesito amoroso que meu coração de DNA rabo-de-lagartixa se manifesta em plenitude: tantas vezes decepado quantas vezes auto-regenerado.
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Férias na praia, primeiro namorado, ambos com 14 anos. Eu, uns 5 cm mais alta que ele. Em pleno estirão da puberdade, ele cresceu uns 15 cm enquanto namorávamos. Um dia, seca e inexplicavelmente, ele terminou o namoro e a lagartixa enfiou o primeiro rabo-cotó entre as pernas. Anos mais tarde, num encontro casual, P. revelou que quem tinha rompido comigo fora o irmão, gêmeo idêntico. Não perguntei o motivo: vai ver, eu não estava mais à altura deles.
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Escola nova, eu com QI de ameba em Física. Tão péssima que a escola indicou um instrutor para acompanhar meus estudos. F., estudante de engenharia, fez o que pôde e acabou rolando uma química entre nós. Foram vários foras seqüenciais em que F. terminava comigo para namorar minha colega Nair. E vice-versa. Um dia, num lampejo de lucidez, Nair e eu fizemos um pacto de não aceitar mais tamanha indecisão. De herança, ficou a grande amizade entre as duas lagartixas cotós, que resiste até hoje.
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Conheci R. numa festa no clube. Ele, estudante de Direito, já tinha a lábia dos catedráticos. Éramos completamente diferentes: ele, refinado, elegante, apegado ao material; eu, adepta do estilo simples, meio riponga, mais interessada no espiritual. O mimetismo da espécie ancestral fez-me adaptar ao seu estilo. Pena que R. não conseguia se adaptar ao estilo monogâmico. Foram anos de foras, seguidos de lágrimas de crocodilo de arrependimento. Eu subia pelas paredes, mas, acadêmica de Medicina, compreendia a força dos hormônios masculinos e sempre o aceitava de volta. Um dia, a gota dágua: furtiva como uma lagartixa, deixei na lata de lixo do banheiro de um restaurante um pé de um sapato de grife dele (couro de crocodilo, claro!) e o restinho do meu amor. Ele saiu do local mancando. Meu coração, manco, enfim saltitava.
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Na residência médica conheci outro R., urologista. Paixão arrebatadora, daquelas bem fulminantes. Eu estava nas nuvens. Ele estava há poucos meses do casamento. Me joga na parede, me chama de lagartixa, mas não faz isso comigo! Ele fez, sem coragem de romper com o compromisso assumido. E a lagartixa achou que ia morrer, que tinha usado a sua última regeneração do rabo-coração. Quando ele se separou e me procurou novamente, encontrou um coração sobrevivente, reconstituído e destinado a outro.
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Foi como lagartixa profissional que conheci A., numa escola de idiomas. Eu, professora. Ele, meu aluno na turma dos sábados. Sou lagartixa, mas nunca tive sangue de barata: a primeira coisa que me chamou a atenção foi a reluzente aliança na mão direita dele. Definitivamente avessa a noivos, nem simpática eu conseguia ser. Um ano depois reencontrei Alexandre, casualmente, num jogo de tênis. Não havia mais aliança ofuscando a minha visão e as duas lagartixas reconheceram-se e casaram-se em poucos meses. Junto à lagartixa-mãe, uma nova linhagem de lagartixas adolescentes, de pedigree duplo, celebrou ontem, ao sol, o primeiro jubileu do patriarca.
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É como dizem: quem nasceu pra lagartixa nunca chega a jacaré.

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