terça-feira, 11 de maio de 2010

De poeta e de louco

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Metade de mim é alguém
Que pesa, apreça, pondera
Outra metade é ninguém
Leve, sem pressa, pudera!

Parte de mim é esteta
A la Ferreira Gullar
A outra, vida concreta
Urge que eu vá trabalhar

De perto, a parte ternura
Crê, treme, sonha, reluta
Ao longe, o lado bravura
Não teme, assanha, disputa

Dentro de mim vive um ente
Que fala e sabe de Tudo
O seu vizinho, demente
Nada, surdo, cego, mudo

Minha porção bissetriz
Reparte a arte, esquarteja
Faz sua parte, a infeliz
Descarta a alma, esbraveja.

A face poeta projeta
Panfleta sua arte bruta
A parte asceta é profeta
Aparte: sou anjo biruta.

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* Traduzir-se in Na vertigem do dia