quarta-feira, 30 de novembro de 2011

urubu



rodo em círculos
no ar
à espera de teto
pra pousar

( só não sei voar ) 

terça-feira, 29 de novembro de 2011

domingo, 27 de novembro de 2011

é cedo



sucede que cedo ou tarde
dá-se o mesmo desenredo
intercedo, sem alarde
procedo, não cedo
ex_cedo"

.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011


Vale a pena conferir a estreia do poeta mineiro Márcio Ares no blog Tertúlia Pão de Queijo.
http://tertuliapaodequeijo.blogspot.com/2011/11/felizmente.html

Marcio Ares vai publicar às 5as. feiras

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

sub_missão





olha, eu te desejo tanto
que até perdi a vontade
de me sub_verter em pranto
ou manter a dignidade

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Pecados capitais


AVAREZA


Escreveu um livro - caixa.
Plantou uma árvore - bonsai.
Teve um filho - da puta.

- - - - - - - - - - -

LUXÚRIA

Ele, Virgem.
Ela, de Lua, sumiu um dia, como Plutão.
Encantou-se pelos anéis, de Saturno.

- - - - - - - - - - -


GULA

Voraz, engolia tudo que via pela frente.
Um dia, devorou um sonho.
Passou a vomitar des-ilusões.

João e Maria



O primeiro me surpreendeu a laço
todo beijos e carícias - amém
batia, amassava-me o rosto, à toa
dizia ter vindo de joão pessoa
até que deu uma de joão sem braço
pois bem lá no fundo era um joão ninguém

O segundo se aproximou de carro
feio, mas danado de bom e gostoso
quis dar-me casa feito um joão de barro
nunca cedia, tal qual joão teimoso
até que um dia quis se estrangular :
perdeu a cabeça como joão goulart

O terceiro veio após brava reza
dançou, pulou fogueira de são joão
apresentou-se a meu pai - tudo em vão
tal como um joão coragem que se preza
anunciou nosso fim numa noite de eclipse,
não era joão de deus, mas o do apocalipse
.

sábado, 19 de novembro de 2011

Cordel da mulher zangada





Quando me bate uma zanga
abro o peito, solto a franga
falo pelos cotovelos
mostro a garra, eriço os pelos
não é que eu seja aloprada:
pra brigar eu dou boiada

Quando fico p da vida
armo o que até Deus duvida
faço bico, ofendo, emburro
em ponta de faca esmurro
eu não fico só de mal
mato a cobra e mostro o pau

Dizem uns que sou histérica
que conter-me é lida homérica
outros que sou barraqueira
é intriga da oposição:
desgraça pouca é besteira
sou mulher de opinião

Muita calma nessa hora
senão a fera apavora
dou chilique, faniquito
arrebento e arrebito
viro bicho, incrível Hulk
da finesse, adeus o look

Não mexa comigo, moço
que eu não engulo caroço
no facebook e orkut
me vingo, no saco um chute
posso não ter muito músculo
mas sou mulHer, agá maiúsculo
.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

fria guerra


Marte e Vênus, Boticelli


aMar_te
até a morte
requer bacamarte
um naco de sorte
camisa de Vênus
e duas camisas de força

domingo, 13 de novembro de 2011

sweet november

foi em setembro
bem me lembro
ruiu meu mundo
quedei escombro

em outubro
triste assombro
coração vagabundo
ex_cravo sem quilombo

pra dezembro o vislumbro
moribundo
molambo
no limbo

brother



com ele aprendi a dizer sim
e a deixar de lado todo o resto
nós cada vez mais afins

um dia,
súbita sensação de incesto
era o fim

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

zero a zero






Nao aquece nem aquiesce : esquece
Não atina nem desatina : destina
Não vela nem desvela : releva
Não clama nem reclama :
                                     Te ama.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

velho chico



imagino Francisco menino
vertendo nascente,
minando vertentes,
nascendo barrancos
descendo ladeiras

- onde está o ouro preto, oh chico?
- não sei, Senhor
 ouros, só guardo no interior


( pro Vitor Gomes, rio perene como o São Francisco, despojado como o santo)
.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

inútil



inútil é preocupar
tenho passado muito bem, obrigada
descobri que você não me é necessário

tenho passado muito bem sem você
ah, mas fazem tanta falta
os gestos, palavras, encontros
promessas, abraços e beijos
desnecessários 

sábado, 5 de novembro de 2011

puro astral




Nossa amizade foi ficando de outro modo
e sei que o destino é que nos enfeitiçou.
Se eu era um amigo nas cartas da sorte
é porque mais gosto que adivinho o amor


Márcio Ares, 2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

língua de trapo



o ponto fraco:
falta-me pinto
mas tenho peito
e não me oprimo

tive partos,
gesto pactos
pago e reparto o pato
lavo pratos,
cirzo trapos,
não me importo
ma non troppo

levo pito,
represo o pranto
despisto
sempre pronta,
disposta
toda prosa

o ponto forte
eu já te conto
está na ponta
- da língua

quinta-feira, 3 de novembro de 2011