quinta-feira, 29 de setembro de 2011

quem pode p(h)oda


é phoda
a todo instante
reinventar a roda
ter que seguir
os ditames da moda
beber soda cáustica
e arrotar club soda
aprender a arte
de submeter a poda

é p(h)oda
mas dá



love me




vire-me do avesso
me alise, me amasse
me dobre, me rasgue

lave-me
me enleve
valha o preço
que pagou por mim

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

almas gêmeas


fútil, inútil
you're so vain
também sou
então, vem

desperta_dor





viajo no beijo
deixo
que seu corpo
me invada
saio do eixo
me acho

duro é acordar
depois

fóssil



seria ótimo
abrir o próprio negócio
dançar no ritmo
cobrar pedágio
ter vida fácil
num átimo
ser artifício
a língua ágil
desejo indócil
ser fútil
so_rir por último

viver sem tento
sem contratempo
seria ótimo
por pouco tempo

terça-feira, 27 de setembro de 2011

toque de midas



um dia
 a vida aponta
que gente
não nasce pronta
os medos moldam
os modos mudam
mesmo a garganta muda
arranha
e gente se dá conta
que barata tonta
vira comida
de aranha
feliz de quem insiste
gente existe
pra amar
e ser amado

Anatomia da rosa *





Ninguém nunca se esquece da maior, rosa da rosa

Todavia permanece a cegueira hereditária.
Ainda há muita ferida de profundidade cálida
Que, por não ser de repente, vista é como irrisória.

Há.

Pensem nas crianças que morrem antes dos cinco anos por fome no Jequitinhonha
(mudas telepáticas)
Pensem nas meninas vendidas no Iraque todos os dias
(cegas inexatas)
pensem nas mulheres prostituídas em Cuba
(rotas alteradas)
E 376 mil crianças que morrem anualmente na Etiópia.
E 376 mil crianças que morrem anualmente na Etiópia.
E 376 mil crianças que morrem anualmente na Etiópia.

O espinho prevalece sobre a desnutrida esquálida.
É a rosa permanente, só que agora mais murchada.
Não menos estúpida, não menos inválida.

Sem cor, perfume, imprensa
Sem ideia, música, ciência.
Sem vez. Sem voz. Sem nada.


* A quatro mãos - Aléxia Alvim e Maria Paula Alvim

sábado, 24 de setembro de 2011

amor sem escalas


tive amores pequenos
que andaram descalços
sem dó
por cá e por lá

tive amores envolventes
silenciosos
onde ouvi violinos
em ré maior

tive amores mágicos
que a(s)cenderam
o sol
dentro de mi(m)

busco o amor
humano, imperfeito
que sequer caiba
em si

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

memento



o tempo inclemente
o corpo demente
nada mente
sustentam-no amante
lembranças
momentos

ninguém restará
pra semente

domingo, 11 de setembro de 2011

missing




saudade
é o tudo que restou
do que se gostaria
de ter vivido
de ter sido

saudade
é ter sentido

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

mertiolate



"No momento em que a dor se transforma em ideias,
 ela perde parte de seu poder de ferir nossos corações" Marcel Proust


Catar coquinhos
Colar caquinhos
selar caminhos
ardem,
doem,
tudo passa
viver exige raça

domingo, 4 de setembro de 2011

embarazada



dentro do seu abraço
eu me embaraço
cheia de graça
 me  desconstruo
depois renasço
(gr) ávida de amor

por hora
seu abraço
me basta