A barriga está enorme, as pernas incham, você suspira e anseia pelo nascimento. O bebê nasce. E chora dia e noite. Zumbi, você pensa que talvez se não lhe amamentasse tão amiúde, ele se acostumaria ao jejum e não teria força para esgoelar-se. Você só quer escapar dali. Até saudades do chefe mandão você sente...
Na volta ao trabalho, a nenê berra, não alimenta bem. Você se culpa : se não a paparicasse tanto, talvez ela não sentisse a sua falta. Você a acompanha à distância : quem vê os primeiros passos, escuta a primeira palavra é a babá.Perto dos dois anos, você a ouve chamar a babá de mamãe e lamenta a desdita de trabalhar. Se ao menos você pudesse estar com ela mais tempo...
Aos treze, sua mocinha é reprovada e você perde parte da ilusão de que ela é o Ser Perfeito na face da Terra. Pura questão genética : se você tivesse casado com o Eugênio, o nerd que emudecia na sua presença... Você escolheu Marcelo, o “Belo” : bonito, louco por um rabo de saia, inteligência limitada ( limítrofe?). Aos quatorze, a menina que você imaginou top model da Ford, alimentada a geléia real, faz o tipo hippie : rosto lavado e sem pintura, saião, rasteirinha, cabelo despenteado. Vá se queixar ao bispo : quem falou sobre Woodstock e levou o dvd do musical Hair para casa?! Na festa de quinze anos, ela dança a valsa de pé no chão, sozinha no salão, ao som de “Lucy in the sky with diamonds”. Quem apresentou os Beatles para ela?!
Um dia ela comunica que vai estudar Comunicação Social. E você pensa em todo o danoninho – cálcio, ferro, vitaminas – da infância. Desperdiçado, assim como o seu sonho de ter a filha presidente de multinacional. Foi você quem estimulou a criatividade, financiou as aulas de teatro e dança! E ela apresenta, de uma só vez, o namorado guitarrista de banda, o rabo de cavalo dele e a tatuagem no seio dela. Quem falou a ela sobre biodiversidade, equidade social e liberdade de expressão?!
Aos vinte e dois, você tem um piripaque quando ela quer dormir com o namorado em casa : o estímulo para reunir os amigos na sua casa para escapar da violência urbana partiu de você. Você repete o mantra “nunca fiz apologia a drogas ou erva”... Opa, será que a erva de passarinho que parasita a árvore em frente à casa ou a droga do Marcelo, sempre ausente, contam?
Ela faz pós graduação no exterior, a casa fica vazia, você se desmancha de saudades. Resignada, lembra que as aulas de inglês, espanhol e alemão foram úteis, enfim. Aos trinta, ela volta e se instala na sua casa – eis o resultado de tantos anos de mordomias dignas de hotel cinco estrelas. Você dependura Santo Antônio de cabeça para baixo até ela arranjar um marido. Aí ela casa e fica dias sem ligar, sempre ocupada. E você se recrimina : quem mandou fazer dela uma grande amiga? Bem que te avisaram : mãe é mãe, amiga é amiga.
Você anseia pelos netos e os netos chegam. Todo fim de semana. O fim de semana todo. Sua casa é um pedaço de Sarajevo e você se arrepende de ter tratado bem os pirralhos da primeira vez. Aí ela se separa e volta para sua casa de mala, cuia e dois curumins. Só até tudo se acertar. Sua casa agora é uma oca, você perdeu o posto de cacique. Você apela para Tupã.
Então você repassa toda a sua vida para entender onde foi que errou. O erro foi do destino que não te fez mãe judia. Aquela sim, teve muita sorte : um filho admirado por todos, pleno de virtudes... um pouco rebelde, é certo, mas isso era problema do Pai, com quem voltou a morar aos trinta e três anos. Daquele sim, dava gosto ser mãe... Filho bom foi Jesus Cristo!
Você considera a possibilidade de fugir de casa para morar com os índios numa tribo amazônica.
terça-feira, 28 de outubro de 2008
domingo, 26 de outubro de 2008
Tem gente!
Corro o risco de ser taxada de polêmica e insensível, eu sei, mas a exploração do caso de Santo André já extrapolou todos os limites aceitáveis. E está dando nos nervos.
Tem de tudo neste mundo: gente que se alia a namorado para dar cabo dos pais, gente que joga a filha pela janela, gente que promove sessão particular de extermínio na sala de cinema, gente que mata o objeto de sua paixão insana...
A questão é que tem muita gente no mundo. Gente fazendo de tudo, bem embaixo dos nossos narizes. Tem gente que sofre e gente que comercializa tragédias. Gente crédula e gente que abusa da confiança. Gente que faz e gente que senta em cima do próprio rabo para criticar. Gente que cai feio e gente que ri de videocassetada. Gente que batalha pelo pão de cada dia e gente que incita a fofoca, se alimentando da batalha alheia. Gente que bateia e gente que tampa o sol com a peneira.
Não foi noticiado, mas tem gente solitária que dá boa noite ao William Bonner por não ter com quem conversar. Gente se pintando de verde para ganhar a proteção dos ecologistas. Gente que come o pão que o diabo amassou. Gente, igual a você e a mim, que, literalmente, morre de fome. Aos milhares. Todos os dias.
Tem gente matando um leão por dia - a beliscão. Tem gente, em tempo de vaca magra, que se vira para a esquálida não ir pro brejo. Tem gente fazendo das tripas coração bem ao lado da gente.
Tem gente mais folgada que colarinho de palhaço e gente apertada como sardinha em lata. Tem gente mais perdida que freira em zona e gente louca para se perder. Tem gente que acha que campanha política tem que ser suja como pau de galinheiro. Tem gente que aceita que candidato sujo cante de galo.Tem gente que dá azar e gente que despreza a sorte que tem. Gente se fingindo de rico e gente se passando por pobrezinho. Gente que se doa ao bem e gente que vende a alma ao diabo.
A coisa anda mais feia do que rascunho do mapa do inferno - de cabeça para baixo. Minha avó dizia que, se o mundo fosse bom de verdade, o Dono morava nele. Mas gente que pensa escolhe o tipo de gente que quer ser. E o tipo de informação que quer ler, ouvir e comentar.
E não venham bater à minha porta contando as agressões que Liso sofreu ao ser preso, o passado do pai de Eloá, o que Nayara vestia ao sair do hospital. Tampouco quero saber da herança de Suzanne ou como Mateus e Alexandre passam os dias na cadeia. O recinto está ocupado. Aqui dentro tem gente. Gente que tem mais o que fazer.
Tem de tudo neste mundo: gente que se alia a namorado para dar cabo dos pais, gente que joga a filha pela janela, gente que promove sessão particular de extermínio na sala de cinema, gente que mata o objeto de sua paixão insana...
A questão é que tem muita gente no mundo. Gente fazendo de tudo, bem embaixo dos nossos narizes. Tem gente que sofre e gente que comercializa tragédias. Gente crédula e gente que abusa da confiança. Gente que faz e gente que senta em cima do próprio rabo para criticar. Gente que cai feio e gente que ri de videocassetada. Gente que batalha pelo pão de cada dia e gente que incita a fofoca, se alimentando da batalha alheia. Gente que bateia e gente que tampa o sol com a peneira.
Não foi noticiado, mas tem gente solitária que dá boa noite ao William Bonner por não ter com quem conversar. Gente se pintando de verde para ganhar a proteção dos ecologistas. Gente que come o pão que o diabo amassou. Gente, igual a você e a mim, que, literalmente, morre de fome. Aos milhares. Todos os dias.
Tem gente matando um leão por dia - a beliscão. Tem gente, em tempo de vaca magra, que se vira para a esquálida não ir pro brejo. Tem gente fazendo das tripas coração bem ao lado da gente.
Tem gente mais folgada que colarinho de palhaço e gente apertada como sardinha em lata. Tem gente mais perdida que freira em zona e gente louca para se perder. Tem gente que acha que campanha política tem que ser suja como pau de galinheiro. Tem gente que aceita que candidato sujo cante de galo.Tem gente que dá azar e gente que despreza a sorte que tem. Gente se fingindo de rico e gente se passando por pobrezinho. Gente que se doa ao bem e gente que vende a alma ao diabo.
A coisa anda mais feia do que rascunho do mapa do inferno - de cabeça para baixo. Minha avó dizia que, se o mundo fosse bom de verdade, o Dono morava nele. Mas gente que pensa escolhe o tipo de gente que quer ser. E o tipo de informação que quer ler, ouvir e comentar.
E não venham bater à minha porta contando as agressões que Liso sofreu ao ser preso, o passado do pai de Eloá, o que Nayara vestia ao sair do hospital. Tampouco quero saber da herança de Suzanne ou como Mateus e Alexandre passam os dias na cadeia. O recinto está ocupado. Aqui dentro tem gente. Gente que tem mais o que fazer.
Abissal
Vasco e Edmundo:
bem lá no fundo,
Paixão Animal.
* - * - * - * - * - * - * -
7 faces
Bem lá no fundo,
Drummond devia ser
Raimundo.
* - * - * - * - * - * - * -
Garoto
Adorável Carlitos:
bem lá no fundo,
Chaplin, eterno vagabundo.
* - * - * - * - * - * - * -
Machado sem cabo
Bem lá no fundo,
se não nado,
afundo.
* - * - * - * - * - * - * -
Limbo
Bem lá no fundo
do mundo,
o submundo.
* - * - * - * - * - * - * -
Se vou
bem lá no fundo,
aprofundo.
* - * - * - * - * - * - * -
No fundo,
bem lá no fundo.
Redundo.
* - * - * - * - * - * - * -
bem lá no fundo,
Paixão Animal.
* - * - * - * - * - * - * -
7 faces
Bem lá no fundo,
Drummond devia ser
Raimundo.
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Garoto
Adorável Carlitos:
bem lá no fundo,
Chaplin, eterno vagabundo.
* - * - * - * - * - * - * -
Machado sem cabo
Bem lá no fundo,
se não nado,
afundo.
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Limbo
Bem lá no fundo
do mundo,
o submundo.
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Se vou
bem lá no fundo,
aprofundo.
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No fundo,
bem lá no fundo.
Redundo.
* - * - * - * - * - * - * -
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Faz parte *
Pra passar no vestibular
encaro as desumanas exatas,
engulo a insípida geografia,
amanheço a mnemônica biologia,
afogo no mar de teorias físicas.
encaro as desumanas exatas,
engulo a insípida geografia,
amanheço a mnemônica biologia,
afogo no mar de teorias físicas.
Nem só de línguas, literatura,
filosofia, história, matemática
se faz o homem.
O homem se faz na arte
do encontro de suas partes.
Dedilhar as cordas da geografia
e produzir sons históricos,
decantar a poesia da química,
dançar o ritmo da geometria,
encenar as tramas da biologia,
Faz parte,
mas só uma ínfima parte
da Vida, todo maior
poesia e arte:o todo, a parte.
* pra Leca, parte indivisível do meu todo.
Ninguém merece

Para muitos, a crônica é a prima pobre da poesia. Uma elege temas universais e atemporais, enquanto a outra enfoca o cotidiano de prazo de validade curto. De fato, a maioria das crônicas fica rançosa com o passar do tempo. Poucas têm vida média de carbono, resistindo ao espaço e intempéries naturais. A crônica bem elaborada é cápsula do tempo, registro histórico pela terceira visão – nem vencedor, nem vencido – do impacto e relevância que o fato trivial teve sobre o autor. Há quarenta anos, em meados dos anos sessenta, Paulo Mendes Campos escreveu “Coisas abomináveis”, um relato de “crimes contra a criatura humana na vida moderna”. A abordagem, ainda atual, faz-me concluir que alguns cotidianos são crônicos.
No texto, o cronista mineiro arrolou, entre as coisas que abominava, atraso de avião, preencher aquele formulário hermético e algébrico da Divisão do Imposto de Renda, os maus serviços da Companhia Telefônica ( as companhias, hoje muitas, padronizaram o atendimento precário ao cliente). No quesito saúde, registrou os rumores de epidemia de varíola ( com a erradicação da doença, os boatos foram parar nas freguesias da febre amarela, AIDS, gripe asiática) e enfarte de pessoa da nossa idade ( a má notícia é que entrei para o time da “nossa idade”). Nas relações humanas, o autor explicitou a insatisfação com sujeito falso importante, mulher feia falando de bonita, moça que não sabe que mulher só pode falar um palavrão por semana. Não é atualíssimo?
Ouso continuar a idéia do cronista. Uma amostra de coisas detestáveis contemporâneas poderia incluir o voyerismo tácito que faz com que o assunto hit em todas as rodas seja as peripécias do BB8; gente que fala aos gritos no celular, expondo ao mundo sua privacidade; axé, funk e demais variantes dessa batida retumbante e chata; salários irreais de jogador de futebol; massificação do pensamento; fama passageira e sem mérito; consumismo desenfreado; relacionamentos humanos descartáveis; vendedor solícito demais ou que te ignora; caça à vaga no estacionamento lotado do shopping; filas em bancos; lista de espera em restaurantes; recepções faraônicas de gosto duvidoso, dignas de novo rico; padrões maleáveis de moral e conduta socialmente aceitos; fanatismo e intolerância religiosos; impunidade; rótulos e categorizações; imprensa marrom; vírus cibernético; correio eletrônico lotado de spam; truculência urbana; imediatismo social; bêbado bonzinho e grudento; carga tributária excessiva; estradas esburacadas; taxista que puxa assunto depois de você ter dado todos os sinais que está entretido em colóquio consigo mesmo; política de cotas para negros em universidades públicas ( atacar os sintomas não atinge a causa da doença); governo corrupto, inoperante e populista; publicidade grotescamente inserida no nosso programa favorito; farras do boi e do cartão; a efemeridade da tecnologia; CPIs que acabam em pizza; a mercantilização da saúde privada e o pouco caso com a saúde pública;...
Fale a verdade: a gente merece?
Liberou geral

Pobrezinhas de nós, mulheres!
Triste sina : sempre tão incompreendidas, pré-conceituadas, rotuladas, estigmatizadas.
Se somos solidárias e cooperativas, é porque somos exploradas;
Se nos focamos no trabalho, somos alienadas egocêntricas.
Se demonstramos sentimentos, somos manteiga derretida;
Se nos contemos, somos calculistas, icebergs, frias (frígidas?)
Se somos ativas e militantes, rotulam-nos de sapatonas;
Se aceitamos passivamente o destino, falta-nos têmpera.
Se estamos cansadas na segunda-feira, pipocam as fofocas.
Se estamos bem-dispostas, fofocam também.
Se vamos trabalhar gripadas, vamos contaminar os colegas;
Se ficamos em casa, caímos de cama por qualquer bobagem.
Se usamos mini, exibimos descaradamente os nossos corpos;
Se usamos calça comprida, estamos escondendo varizes...
Se usamos maquilagem, chamam-nos pistoleiras;
Se não nos pintamos, somos relaxadas e descuidadas.
Se deixamos nossos bebês na escolinha, somos desnaturadas;
Se ficamos em casa para cuidar deles, somos pilotos de fogão.
Se nosso trabalho é inexpressivo, não temos ambição;
Se nosso trabalho é qualificado, casamo-nos com a profissão.
Se vamos para a night, somos baladeiras alcoólatras;
Se ficamos em casa, nenhum homem nos quer.
Se somos produtivas, perdemos o encanto;
Se não o somos, perdemos o emprego.
Quer saber? Não importa o que façamos, estaremos sempre erradas.
E isto é ..... libertador! Podemos fazer o que quisermos!
Viva a liberdade!Be happy, be free!
Ou como diria Tiradentes "Libertas quae sera tamen" !
Texto desenvolvido a partir de anedota que circula na internet, de autoria desconhecida.
Triste sina : sempre tão incompreendidas, pré-conceituadas, rotuladas, estigmatizadas.
Se somos solidárias e cooperativas, é porque somos exploradas;
Se nos focamos no trabalho, somos alienadas egocêntricas.
Se demonstramos sentimentos, somos manteiga derretida;
Se nos contemos, somos calculistas, icebergs, frias (frígidas?)
Se somos ativas e militantes, rotulam-nos de sapatonas;
Se aceitamos passivamente o destino, falta-nos têmpera.
Se estamos cansadas na segunda-feira, pipocam as fofocas.
Se estamos bem-dispostas, fofocam também.
Se vamos trabalhar gripadas, vamos contaminar os colegas;
Se ficamos em casa, caímos de cama por qualquer bobagem.
Se usamos mini, exibimos descaradamente os nossos corpos;
Se usamos calça comprida, estamos escondendo varizes...
Se usamos maquilagem, chamam-nos pistoleiras;
Se não nos pintamos, somos relaxadas e descuidadas.
Se deixamos nossos bebês na escolinha, somos desnaturadas;
Se ficamos em casa para cuidar deles, somos pilotos de fogão.
Se nosso trabalho é inexpressivo, não temos ambição;
Se nosso trabalho é qualificado, casamo-nos com a profissão.
Se vamos para a night, somos baladeiras alcoólatras;
Se ficamos em casa, nenhum homem nos quer.
Se somos produtivas, perdemos o encanto;
Se não o somos, perdemos o emprego.
Quer saber? Não importa o que façamos, estaremos sempre erradas.
E isto é ..... libertador! Podemos fazer o que quisermos!
Viva a liberdade!Be happy, be free!
Ou como diria Tiradentes "Libertas quae sera tamen" !
Texto desenvolvido a partir de anedota que circula na internet, de autoria desconhecida.
quinta-feira, 2 de outubro de 2008
Uni-verso feminino

DE LUA
Vez por mês sangra,
singra à míngua,
solta a franga.
SEM FUNDOS
Transtorna,
retorna, contorna.
Até que ele a ex-torna.
DESABAFO
Desaba,
deságua a alma pelos olhos.
Desabrocha.
CLANDESTINA
Por fora forte, citrina
Lá dentro, nina e confina
delicada menina.
A PRIMEIRA PEDRA
Não questiona, vende a alma
Faz-se doce, terna, calma...
Só não mora na zona.
TONTA
A folhinha aponta um mês sem você
Mas não conta o que falta
Pra eu te esquecer.
ILUSÃO DE ÓTICA
Espelho, espelho meu:
Que elas se enxerguem
mais feias que eu.
QUE MEDO...
Quer virar a mesa,
fazer e acontecer, devassa.
Covarde, faz-se presa
e a vontade passa.
SIMPLES ASSIM
Tanto retraí,
que um dia distraí:
atraí. Aí, traí.
WORKAHOLIC
Sóbria, mas de porre
caiu de boca no corre-corre.
Ébria, morre.
* - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - *
Quando os homens falham

Na vida, aprendi que calma e bom humor são as vias preferenciais de acesso ao coração do outro. E que raras crises resistem a uma boa e franca conversa cara a cara. Deixar-se levar pelos atalhos da exaltação de ânimos só piora as coisas. Veja só.
- Como é que você me explica isso?
- Sei lá, tanta coisa na cabeça... O Lula, a queda das ações da Vale...
- Se continuar assim, é a minha cabeça que vai rolar... O que eu digo pra Lorena?
- Não explica, ora. Ela fala igual a uma criancinha, Rodrigo. E Lorena lembra a Bobbit...
- ???- A americana que mutilou o marido. Depois ele fez implante, lembra...? Não dá, não sobe! Aquela calcinha devia ser proibida por lei federal... Calcinha bege e larga lembra as calçolas do varal da casa da vó Shirley!
- É mesmo... Nem o lobo mau dava conta...
- Você ouviu o que ela falou no final? Ela não nos merece, cara...
- Aquele “Credo, seu pé era tão grande...” foi de lascar, concordo.
- Pois é. Apelou, perdeu! Liga não, avante. Cabeça erguida!
- O mesmo eu te digo... Da próxima vez, vê lá, hein?
* - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -
- Que vexame, meu!
- Eu sei, é duro!
- Mole, você quis dizer... O que aconteceu pra você dormir em serviço?
- Eu é que te pergunto. Não era dia de sobreaviso... Primeiro encontro, aperto de mão, restaurante sofisticado pra impressionar...- É que ela quis...- Sem aquecimento não dá, já te falei... Tem que ter preliminar pra rolar clima... Beijo, toque, essas coisas... Nem parece que você frequenta academia. Se não alongar, dá câimbra. POXA!
- Foi inesperado para mim também... Mulher de atitude, hein?
- Atitude demais... E o que é demais, sobra... Sem aviso prévio, nada feito.
- Tudo bem...
- Ninguém é de ferro, cara! Prontidão gasta energia...
- Tá, tá.
- ... Tô pensando em desistir, Rômulo... É muito serviço...
- Não faz isso, fica calmo. Eu sinalizo antes, prometo...
- Preciso de umas férias pra esfriar a cabeça... um mês.
- Aí você me avacalha... 5 dias.
- 15. Estou deprimido, você não está vendo?
- 10 e não se fala mais nisso. Mas tem que voltar animado, firmão...
- Fechado.
- ... Até que ela foi legal com a gente... Disse que estava tudo bem... E que nem estava muito a fim...
- Ô! Já pensou se estivesse?!
- Eu sei, é duro!
- Mole, você quis dizer... O que aconteceu pra você dormir em serviço?
- Eu é que te pergunto. Não era dia de sobreaviso... Primeiro encontro, aperto de mão, restaurante sofisticado pra impressionar...- É que ela quis...- Sem aquecimento não dá, já te falei... Tem que ter preliminar pra rolar clima... Beijo, toque, essas coisas... Nem parece que você frequenta academia. Se não alongar, dá câimbra. POXA!
- Foi inesperado para mim também... Mulher de atitude, hein?
- Atitude demais... E o que é demais, sobra... Sem aviso prévio, nada feito.
- Tudo bem...
- Ninguém é de ferro, cara! Prontidão gasta energia...
- Tá, tá.
- ... Tô pensando em desistir, Rômulo... É muito serviço...
- Não faz isso, fica calmo. Eu sinalizo antes, prometo...
- Preciso de umas férias pra esfriar a cabeça... um mês.
- Aí você me avacalha... 5 dias.
- 15. Estou deprimido, você não está vendo?
- 10 e não se fala mais nisso. Mas tem que voltar animado, firmão...
- Fechado.
- ... Até que ela foi legal com a gente... Disse que estava tudo bem... E que nem estava muito a fim...
- Ô! Já pensou se estivesse?!
* - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -
- Levanta-te e anda, descrente!
- ...?
- É com você mesmo! Fica aí deitado em berço esplêndido enquanto eu sufoco o meu brado retumbante ...
- Acontece com qualquer um, calma...
- Incapacitar fisicamente o resto da humanidade vai ajudar em quê?!
- Era muita areia, Roberto!
- ...?
- Pro nosso caminhãozinho. Eu nem sabia por onde começar. Um espetáculo!
- Mulheraço, né? Que boca... Tinha tudo pra ser perfeito! Ficar na memória...
- Aí afogou o motor... excesso de combustível. Expectativa demais.
- E o que eu faço agora?- Esquece. Amanhã você liga pra ela...
- Você acha que a Ciccarelli vai nos dar uma nova chance?
* - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * -
- Meu melhorrrr, inseparável e ÚNICO amigo! Eu te AMOOO! Como é que foi acontecerrrr isso?! Logo comigo...
- Foi a bebida, cara... Olha o pé da cama!
- Bebi justamente pra animarrrr...- Excesso de combustível... afogou o motor... de cima.
- Falarrrr “eu agora entendo o seu carro...” foi golpe baixo dela, pô!
- Foi mesmo. A Ferrari não tem nada a ver com isso, Ronaldo... Entra no chuveiro pra apagar esse fogo... E fala baixo, que a imprensa tá de olho na gente.
- * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - * - *
Antes que me perguntem se já aconteceu comigo: claro que não! Nem com você, tenho certeza. Graças a Deus, certas coisas só acontecem com os outros.
Em poucas palavras

a) Saudade é a alma* que, na ausência, vai para perto.
b) Solidão é a alma que, na presença, voa longe.
c) Indiferença é a alma em coma profundo.
d) Ciúme é o protesto da alma, incapaz de domar outra.
e) Inveja é o protesto da alma, incapaz de copiar outra.
f) Mágoa é a alma empacada no único trecho riscado do CD.
g) Arrogância é quando a alma sobe no Evereste pra se sentir no topo.
h) Renúncia é quando a alma dá um passo atrás e vai cuidar de outra coisa.
i) Paixão é a alma no olho do furacão.
j) Paz é quando a alma tira férias de tantas emoções.
* alma ( anima) : princípio que dá movimento ao que é vivo.
b) Solidão é a alma que, na presença, voa longe.
c) Indiferença é a alma em coma profundo.
d) Ciúme é o protesto da alma, incapaz de domar outra.
e) Inveja é o protesto da alma, incapaz de copiar outra.
f) Mágoa é a alma empacada no único trecho riscado do CD.
g) Arrogância é quando a alma sobe no Evereste pra se sentir no topo.
h) Renúncia é quando a alma dá um passo atrás e vai cuidar de outra coisa.
i) Paixão é a alma no olho do furacão.
j) Paz é quando a alma tira férias de tantas emoções.
* alma ( anima) : princípio que dá movimento ao que é vivo.
Autobiografia

Há pouco ele virou saudade
Ah! Se eu me chamasse Piedade
Boa de cama e mesa
Às vezes, sou Tereza
Tenho lábios de puro mel
Quando me faço Isabel
Grande amor pela família
Só posso ser Ana Emília
Ah! Se eu me chamasse Piedade
Boa de cama e mesa
Às vezes, sou Tereza
Tenho lábios de puro mel
Quando me faço Isabel
Grande amor pela família
Só posso ser Ana Emília
Valente, cheirando a açucena
É a minha porção Helena
Tanta energia e alegria
Quem dá conta é Sofia
Com a face bem redonda
Sou a própria Gioconda
Tenho pés de centopéia
E corpo de Dulcinéia.
As mulheres que vivem em mim
E compõem a minha personalidade
São tantas, dispares, múltiplas - enfim,
Assumem minha parcial sanidade,
Completa integridade, relativa profundidade
Com pitadas de felicidade.
É a minha porção Helena
Tanta energia e alegria
Quem dá conta é Sofia
Com a face bem redonda
Sou a própria Gioconda
Tenho pés de centopéia
E corpo de Dulcinéia.
As mulheres que vivem em mim
E compõem a minha personalidade
São tantas, dispares, múltiplas - enfim,
Assumem minha parcial sanidade,
Completa integridade, relativa profundidade
Com pitadas de felicidade.
Dando bandeira

Penso muito, escrevo mediano,
Falo pouco, não faço poesia.
Descrevo, invento o cotidiano
Real ou por vir, com ironia
Não transito bem entre verbos,
Nada sei sobre neologismos,
Desconheço Teodora, Manuel.
Nossos mundos, fundos abismos ...
Pra piorar, que destino cruel!
Não te batizaram Teodoro
Pois eu recriaria, orgulhosa:
Teadoro, Teodoro.
Gosto do seu poetar, Bandeira.
Termino por aqui essa prosa,
Que basta de marcar bobeira.
* intertextualidade a Neologismo, de Manuel Bandeira
Falo pouco, não faço poesia.
Descrevo, invento o cotidiano
Real ou por vir, com ironia
Não transito bem entre verbos,
Nada sei sobre neologismos,
Desconheço Teodora, Manuel.
Nossos mundos, fundos abismos ...
Pra piorar, que destino cruel!
Não te batizaram Teodoro
Pois eu recriaria, orgulhosa:
Teadoro, Teodoro.
Gosto do seu poetar, Bandeira.
Termino por aqui essa prosa,
Que basta de marcar bobeira.
* intertextualidade a Neologismo, de Manuel Bandeira
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