sábado, 24 de dezembro de 2011
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Crônica de Natal *
Faz muito tempo, mas lembro como se fosse ontem. Um dia, minha filha constatou, séria: “Já sei de tudo... Papai Noel é você”. E acrescentou: “O bom é que agora posso te ajudar a ser Mamãe Noel”.
Ísis aos 7 anos matou a charada: se Papai Noel não existe, o espetáculo todo só pode ser coisa de mãe. À luz da razão, o Natal é, sem trocadilho, uma festa perua. Juntos, sinos, laços, guirlandas, bolinhas, arranjos, luzes e brilhos parecem gritar: reparou, não? Uma presepada. E vamos combinar: homem vestido dos pés à cabeça de vermelho, cheio de pompons, chamado de Santa nos Estados Unidos, que só sai de casa no dia 24, levado por um monte de veados e que dá pra todo mundo ... não existe.
Convenhamos, os preparativos para a celebração do Natal têm tudo que homem abomina. A começar pelas compras, que demandam planejamento, paciência, detalhismo e mente detetivesca. Não vale esquecer de ninguém - do vigia da rua ao afilhado. Carece descobrir o que a tia que tem tudo gostaria de ganhar, batalhar vaga no estacionamento, passar horas no shopping lotado e fazer mágicas para tudo caber no orçamento. Há que ter criatividade e imaginação para não repetir a decoração, o menu, as brincadeiras, os votos - tudo para que o espírito natalino sobreviva à banalização consumista da data.
Natal exige palavras ternas e doces. O que os homens chamam de ditadura da bondade, a súbita generosidade que envolve a todos nós, as mulheres preferem chamar de salvo conduto do amor. E tem a questão da comida, tem que pensar no peru. Aquele peru duro e seco, que enfeita e encalha na mesa é assim porque é assado. É nas ceias de Natal que anualmente ressuscitam os tipos folclóricos, ameaça à estabilidade emocional de qualquer um. Menos da Mamãe Noel, que tem jogo de cintura suficiente para neutralizar a combinação explosiva de álcool e mágoas familiares.
É óbvio que Papai Noel não existe. Homem é prático: meu cunhado certa vez sugeriu deixar toda a decoração montada, para facilitar o trabalho no ano seguinte. Homem tem dificuldade em suspender a realidade para viver a fantasia momentânea da paz universal. Homem é distraído: por conta deles, a Missa do Galo vira celebração do timão mineiro e a coroa do advento termina o período com as velas dominicais intactas. Homem é ocupado, não tem tempo nem disposição para compras, fica de saco cheio num instante. Não é que façam corpo mole, é a força da inércia: em lugar de carregar - o saco de presentes, o pinheiro, as caixas de cerveja -, alguns só saem da festa carregados.
É natural, somos todos humanos.
Menos as mulheres: nessa época baixa um espírito nelas e elas dão conta de tudo.
E ainda curtem, sorridentes, a festa.
E depois lembram de colocar os biscoitinhos para quando o Papai Noel passar, recolher a louça, tirar a maquiagem, colocar os presentes ao pé da árvore depois que todos dormirem, pedir a bençao para a família.
E se deleitar na manhã seguinte com a alegria e surpresa dos filhos, mesmo que já nem tão crianças.
A magia é tanta que nem a decepção pelas descobertas da inexistência do bom velhinho ou de que mesmo as mamães-Noel não são eternas consegue apagar. De mãe para filha a tradição se perpetua. Só pode ser obra divina.
Feliz Natal a todos nós que somos ou temos a sorte de conviver com Mamães Noel.
* escrito em 23/12/2008
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
terça-feira, 29 de novembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
quinta-feira, 24 de novembro de 2011
Vale a pena conferir a estreia do poeta mineiro Márcio Ares no blog Tertúlia Pão de Queijo.
http://tertuliapaodequeijo.blogspot.com/2011/11/felizmente.html
Marcio Ares vai publicar às 5as. feiras
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Pecados capitais
AVAREZA
Escreveu um livro - caixa.
Plantou uma árvore - bonsai.
Teve um filho - da puta.
- - - - - - - - - - -
LUXÚRIA
Ele, Virgem.
Ela, de Lua, sumiu um dia, como Plutão.
Encantou-se pelos anéis, de Saturno.
- - - - - - - - - - -
GULA
Voraz, engolia tudo que via pela frente.
Um dia, devorou um sonho.
Passou a vomitar des-ilusões.
João e Maria
O primeiro me surpreendeu a laço
todo beijos e carícias - amém
batia, amassava-me o rosto, à toa
dizia ter vindo de joão pessoa
até que deu uma de joão sem braço
pois bem lá no fundo era um joão ninguém
O segundo se aproximou de carro
feio, mas danado de bom e gostoso
quis dar-me casa feito um joão de barro
nunca cedia, tal qual joão teimoso
até que um dia quis se estrangular :
perdeu a cabeça como joão goulart
O terceiro veio após brava reza
dançou, pulou fogueira de são joão
apresentou-se a meu pai - tudo em vão
tal como um joão coragem que se preza
anunciou nosso fim numa noite de eclipse,
não era joão de deus, mas o do apocalipse
.
sábado, 19 de novembro de 2011
Cordel da mulher zangada
Quando me bate uma zanga
abro o peito, solto a franga
falo pelos cotovelos
mostro a garra, eriço os pelos
não é que eu seja aloprada:
pra brigar eu dou boiada
Quando fico p da vida
armo o que até Deus duvida
faço bico, ofendo, emburro
em ponta de faca esmurro
eu não fico só de mal
mato a cobra e mostro o pau
Dizem uns que sou histérica
que conter-me é lida homérica
outros que sou barraqueira
é intriga da oposição:
desgraça pouca é besteira
sou mulher de opinião
Muita calma nessa hora
senão a fera apavora
dou chilique, faniquito
arrebento e arrebito
viro bicho, incrível Hulk
da finesse, adeus o look
Não mexa comigo, moço
que eu não engulo caroço
no facebook e orkut
me vingo, no saco um chute
posso não ter muito músculo
mas sou mulHer, agá maiúsculo
.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
domingo, 13 de novembro de 2011
sweet november
foi em setembro
bem me lembro
ruiu meu mundo
quedei escombro
em outubro
triste assombro
coração vagabundo
ex_cravo sem quilombo
pra dezembro o vislumbro
moribundo
molambo
no limbo
bem me lembro
ruiu meu mundo
quedei escombro
em outubro
triste assombro
coração vagabundo
ex_cravo sem quilombo
pra dezembro o vislumbro
moribundo
molambo
no limbo
brother
com ele aprendi a dizer sim
e a deixar de lado todo o resto
nós cada vez mais afins
um dia,
súbita sensação de incesto
era o fim
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
sábado, 5 de novembro de 2011
puro astral
Nossa amizade foi ficando de outro modo
e sei que o destino é que nos enfeitiçou.
Se eu era um amigo nas cartas da sorte
é porque mais gosto que adivinho o amor
Márcio Ares, 2011
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
domingo, 30 de outubro de 2011
sábado, 29 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
em três tempos
primavera
belo caso de amor
o colibri a espera
pelo tempo que f(l)or
.
conselho
para evitar acidentes
oriente-se
no ocidente
ocaso
fim de tarde
o sol parte
sem alarde
.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
rondel da divina loucura
Há quem pense ser loucura
Refletir sobre o destino
Há quem olhe com censura
Ou ria do desatino
Pra mim, a mente madura
Se faz eterna, menino
Há quem pense ser loucura
Refletir sobre o destino
Cada qual faz sua leitura:
Pra uns, a vida é cassino
Pra outros, grande aventura
Eu creio ser dom divino
Há quem pense ser loucura...
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Hoje é dia de Tertúlia
Hoje tem nova postagem minha no Tertúlia Pão de Queijo, o blog de escritores mineiros
http://tertuliapaodequeijo.blogspot.com/2011/10/quid-inde.html
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
terça-feira, 18 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
cardiomegalia
cabe dentro do meu peito
dor, solidão, alegria
mercúrio, saturno e marte
braço de mar, do rio o leito
safena sem anestesia
cabe-o inteiro ou a_parte
malu, nair, flávia, ciça
isis, sarinha, leleca
sim, nunca, se_não, talvez
pedra, cipó, roma, meca
riso, siso e insensatez
cabe até encher linguiça
prazer, prezar, a_pesar
américa, cruzeiro e atlético
vale o efêmero e o eterno
oi, até nunca e até já
verão primavera e inverno
o prolixo e o hermético
entra o samba, o jazz, o fado
bate de frente ou de lado
este (a)largado coração
bate de frente ou de lado
este (a)largado coração
só não oferece guarida
não lambe nem cura ferida
de nova desilusão
.
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
domingo, 2 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
terça-feira, 27 de setembro de 2011
Anatomia da rosa *
Ninguém nunca se esquece da maior, rosa da rosa
Todavia permanece a cegueira hereditária.
Ainda há muita ferida de profundidade cálida
Que, por não ser de repente, vista é como irrisória.
Há.
Pensem nas crianças que morrem antes dos cinco anos por fome no Jequitinhonha
(mudas telepáticas)
Pensem nas meninas vendidas no Iraque todos os dias
(cegas inexatas)
pensem nas mulheres prostituídas em Cuba
(rotas alteradas)
E 376 mil crianças que morrem anualmente na Etiópia.
E 376 mil crianças que morrem anualmente na Etiópia.
E 376 mil crianças que morrem anualmente na Etiópia.
O espinho prevalece sobre a desnutrida esquálida.
É a rosa permanente, só que agora mais murchada.
Não menos estúpida, não menos inválida.
Sem cor, perfume, imprensa
Sem ideia, música, ciência.
Sem vez. Sem voz. Sem nada.
* A quatro mãos - Aléxia Alvim e Maria Paula Alvim
sábado, 24 de setembro de 2011
amor sem escalas
tive amores pequenos
que andaram descalços
sem dó
por cá e por lá
tive amores envolventes
silenciosos
onde ouvi violinos
em ré maior
tive amores mágicos
que a(s)cenderam
o sol
dentro de mi(m)
busco o amor
humano, imperfeito
que sequer caiba
em si
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
quarta-feira, 14 de setembro de 2011
domingo, 11 de setembro de 2011
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
domingo, 4 de setembro de 2011
embarazada
dentro do seu abraço
eu me embaraço
cheia de graça
me desconstruo
depois renasço
(gr) ávida de amor
por hora
seu abraço
me basta
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
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