quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Fechado para balanço
Ah, enfim férias...
Parto amanhã para a Califórnia, numa viagem super ansiada pela rota 66.
Na segunda quinzena de janeiro, estou de volta.
Bom Natal e que comecemos todos 2011 com o pé direito.
Com carinho,
MPaula
.
A mulher mineira
Minas Gerais é plural, feminina
tem mulher furacão e desdobrável
tem vaca atolada, tem gente afável
Maria da Fé, Moema, Diamantina
Minas tem cara de bruxa aquilina
seu feitiço é fé, arte, tradição
mulher daqui não caça confusão
nem hasteia em qualquer pico bandeira
é chica, bárbara, beja a mineira
colosso pra ela é o mineirão
ser feia é desvio de rota em Minas
ai daquele que for besta e negar
e não é que Minas não tenha mar
o mar é que não dá conta das 'minas
pacatas, guerreiras, doces, salinas
mineira chora em chegada e partida
provocada, fica fula da vida
barroca, ela borda seu rococó:
não diz não pra não magoar, ô dó
não diz sim pra não ser oferecida
mineira exala doída saudade
na bateia ferve a verve em franqueza
boa de escuta, cama, banho e mesa
coração d'ouro, de ferro a vontade
discreta, só fala pelas metade
guarda dinheiro, segredo e plural
conjura sua ironia ancestral
na cama é devassa, mil pecadilhos
tem recatos, é mãe mesmo sem filhos
seus vales e montes, estrada real
com molejo farto atrai gulodice
no corpo, sustança; no olhar, merenda
beijo açucarado só de encomenda
pra mineirar, há que ter peraltice
em fogo brando coze a mineirice
suas receitas são rara poesia
ela espia : não desconfia nem fia
come olho de sogra, amor em pedaços
mineira carrega o mundo nos braços
tem fé na vida, que estranha mania
torce pro Cruzeiro, é fã do Atlético
é furna de graça, meiguice e humor
no barco do lar é vela e motor
sua dolência tem jeito poético
lógica em cascata, falar sintético
gema preciosa, ela sangra minério
mineira tem riso, siso e critério
pede com o olho, esconde a recusa
de truques brejeiros ela usa e abusa
não baixa a guarda, envolta em mistério
já revelo o que é que a mineira tem
tecer, altiva, sem pressa é um dom
em vez de "tudo bem?", diz "'cê tá bom?"
pro mineiro, liberdade é que é Bem
quae serae, uai, pra mineira tamen
ela transpira pecado e virtude
conhece a fonte eterna, a juventude
pra ela quem faz coisa errada apronta
muito é um tanto, sô, dimais da conta
enfim, ser mineira é questão de a(l)titude
tem mulher furacão e desdobrável
tem vaca atolada, tem gente afável
Maria da Fé, Moema, Diamantina
Minas tem cara de bruxa aquilina
seu feitiço é fé, arte, tradição
mulher daqui não caça confusão
nem hasteia em qualquer pico bandeira
é chica, bárbara, beja a mineira
colosso pra ela é o mineirão
ser feia é desvio de rota em Minas
ai daquele que for besta e negar
e não é que Minas não tenha mar
o mar é que não dá conta das 'minas
pacatas, guerreiras, doces, salinas
mineira chora em chegada e partida
provocada, fica fula da vida
barroca, ela borda seu rococó:
não diz não pra não magoar, ô dó
não diz sim pra não ser oferecida
mineira exala doída saudade
na bateia ferve a verve em franqueza
boa de escuta, cama, banho e mesa
coração d'ouro, de ferro a vontade
discreta, só fala pelas metade
guarda dinheiro, segredo e plural
conjura sua ironia ancestral
na cama é devassa, mil pecadilhos
tem recatos, é mãe mesmo sem filhos
seus vales e montes, estrada real
com molejo farto atrai gulodice
no corpo, sustança; no olhar, merenda
beijo açucarado só de encomenda
pra mineirar, há que ter peraltice
em fogo brando coze a mineirice
suas receitas são rara poesia
ela espia : não desconfia nem fia
come olho de sogra, amor em pedaços
mineira carrega o mundo nos braços
tem fé na vida, que estranha mania
torce pro Cruzeiro, é fã do Atlético
é furna de graça, meiguice e humor
no barco do lar é vela e motor
sua dolência tem jeito poético
lógica em cascata, falar sintético
gema preciosa, ela sangra minério
mineira tem riso, siso e critério
pede com o olho, esconde a recusa
de truques brejeiros ela usa e abusa
não baixa a guarda, envolta em mistério
já revelo o que é que a mineira tem
tecer, altiva, sem pressa é um dom
em vez de "tudo bem?", diz "'cê tá bom?"
pro mineiro, liberdade é que é Bem
quae serae, uai, pra mineira tamen
ela transpira pecado e virtude
conhece a fonte eterna, a juventude
pra ela quem faz coisa errada apronta
muito é um tanto, sô, dimais da conta
enfim, ser mineira é questão de a(l)titude
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intertexto com o cordel de Tadeu Martins "Ser Mineiro"
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terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Curta e grossa
I - Obsessão
Amor de mentira:
põe uma idéia na cabeça
depois, ninguém tira
II - Escrito nas estrelas
Procuro no zodíaco uma pista:
sol em Virgem é problema
a prazo ou a vista?
III - Disfarce
No seu manso abraço
desfaço-me
nada como um bom amasso
IV - Lance de dados
Azar no amor
muitas vezes é sorte
amor de favor
é que é de morte
V - E o vento levou
O amor que invento
desvenda-me
ao sabor do vento
VI - Tudo acabado entre nós
Quando você me deixar
por favor não se queixe,
não me deixe,
só se f(l)or.
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Zero a zero
Não aqueço nem aquiesço : esqueço
Não atino nem desatino : destino
Não velo nem desvelo : relevo
Não clamo nem reclamo :
Te amo.
domingo, 12 de dezembro de 2010
é duro ter coração mole
se tudo começa
do mesmo jeito
por que a gente
abre sem dó o peito
e jura que dessa vez
vai acabar diferente?
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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Aprendi com o tempo
The persistance of memory - Salvador Dali
tardes quentes de verão
percebo que tenho sombra
chovo forte, à exaustão
enfrento o escuro que assombra
nas noites frias do outono
conheço a lição do Nada
o que não posso, abandono
renúncia faz-se calada
em madrugadas de inverno
volto pra dentro de mim
acolho-me, ser eterno
regresso pra de onde vim
das manhãs de primavera,
aprendo a confiar silente
degusto o sabor da espera
tempo é produto da mente
observo, por onde vou
peças de um elo perdido
cumpre-se aquilo que sou
nada mais me é pedido
.
domingo, 5 de dezembro de 2010
De poeta e de louco
Que pesa, apreça, pondera
Outra metade é ninguém
Leve, sem pressa, pudera
Parte de mim é esteta
A la Ferreira Gullar
A outra, vida concreta
Urge que eu vá trabalhar
De perto, a parte ternura
Crê, treme, sonha, reluta
Ao longe, o lado bravura
Não teme, assanha, disputa
Dentro de mim vive um ente
Que fala e sabe de Tudo
O seu vizinho, demente
Nada: surdo, cego, mudo
Minha porção bissetriz
Reparte a arte, esquarteja
Faz sua parte, a infeliz
Descarta a alma, esbraveja
A face poeta projeta
Panfleta sua arte bruta
A parte asceta é profeta
Aparte: sou anjo biruta.
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